Sempre que alguém vê minha tatuagem fala: “Nossa! Você muito
corajosa!” Tenho de discordar dessa frase.
Não porque fazer a tatuagem
não tenha doido, doeu e muito! Mas porque essa foi uma dor consentida, foi
opcional, eu paguei para sentir essa dor!
Parece loucura, não é?
Essa é exatamente a segunda frase que mais escuto: “Você é
louca! Pra que fazer isso?!”
Mas as pessoas que falam essa, em sua maioria, não querem realmente saber o porquê. Essas estão não só me julgando mais já me condenam: É
louca!
Talvez eu seja mesmo louca, confesso que ser normal nunca
foi minha ambição!
Porém existe sim um grande porque por trás da minha
tatuagem. O dragão é sim um símbolo de coragem. Não a coragem de enfrentar as
agulhas do tatuador, mas a coragem de enfrentar uma dor muito maior. Uma dor
que ninguém me perguntou se eu aceitava sentir ou se seria capaz de suportar. Uma
dor que sofri sozinha! A Depressão!
Nesses últimos quatro anos ninguém soube o quanto tive de
ser corajosa para sair da cama todos os dias. O quanto foi dolorido pensar que
o mundo seria um lugar melhor que eu não estivesse nele. Que todos ficariam bem
se eu simplesmente não existisse!
Qualquer tarefa simples do dia a dia exigia um esforço descomunal
e eu não tinha nenhuma força! Algumas pessoas buscam suas fugas de diversas
formas a minha era dormir! Poderia dormir dias, não queria comer, ou tomar
banho, ou falar, ou olhar, ou viver... E mesmo assim eu lutava todos os dias
comigo mesma para fazer o que tinha de ser feito.
É impossível entender isso, mesmo para quem já passou porque
essa é uma doença que é individual e só você sabe quais são seus fantasmas e onde
a vida se torna insuportável.
Sou uma pessoa privilegiada, sempre fui mimada e não só
pelos meus pais, amigos e familiares mas fui muito mimada por Deus! E isso só
trazia um peso ainda maior para minha depressão! Eu não tinha motivos “reais”, palpáveis
para estar me sentindo daquele jeito! Me sentia indigna até de sofrer!
Em uma sociedade que vive a ditar regras de como devemos
ser, fazer, pensar, sentir... Eu não poderia ser eu, não poderia sentir o que
sentia ou pensar o que pensava! Eu tinha de ser grata e feliz e ponto! Mas eu
não era...
Foram longos anos de ausência de mim mesma! De síndrome do pânico,
de tentativas de suicídio e de dias vazios de vida! Mas eu superei, estou aqui,
viva e cada dia mais certa de quem eu sou e menos preocupada com quem eu tenho
de ser.
Fiz a tatuagem para mim e mais ninguém! Fiz porque queria
ter literalmente cravado na pele a superação de toda essa dor. E nenhuma das
minhas sessões de terapia vão superar todas as horas na sala do estúdio de tatuagem
onde eu senti a dor sendo materializada, e pensando que aquilo não era nada se comparado
a tudo que eu passei sozinha na minha cama quente de lençóis de algodão.
No filme Fatal falasse que as mulheres bonitas são invisíveis,
as pessoas vêem sua beleza e não conseguem enxergar quem elas realmente são,
mas isso não acontece só com as mulheres bonitas, todos hoje são um tanto invisíveis.
Nesse anos nem mesmo as pessoas mais próximas eram capazes
de me enxergar! Muitos me julgam mas poucos me olham! E nossa sociedade está
cada vez mais assim. Todos tem uma opinião a dar e muitas já finalizadas sem
chance de argumentação ou resposta. Mas quem somos nós para julgar? Por mais
que conheçamos as pessoas nunca vamos saber tudo, podemos ver seus atos mais
nunca suas motivações!
Tem sido difícil até mesmo não me julgar! Entender o que me
leva a ter tal atitude, o que me motiva e o que eu faço para me auto sabotar!
Relações humanas são complicadas, até nossa relação conosco é difícil! Que tal
embarcar na desafiante tarefa de não julgar e trabalhar a aceitação? Que tal
começar com você mesmo? Você precisa ser perfeito? O que é ser perfeito? Não
estou falando que não devemos tentar sermos melhor a cada dia, acredito muito
que esse é o caminho, mas fazer isso com mais honestidade e menos cobrança me
parece um caminho mais recompensador e menos dolorido!
Nós somos capazes de sermos felizes sendo seres imperfeitos
e em evolução. Somos luz mesmo tendo escuridão! Como já dizia Pitty “Seja você,
mesmo que seja estranho...”

Não julgar e praticar a aceitação! Esse é o caminho. Obrigado Ge
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